{"data":[{"id_proposta":34910,"id_programa":101,"cnpj_ente_recebedor":"12546868000170","nm_ente_recebedor":"INSTITUTO FLORESCER","ed_cep":"33233-070","ed_logradouro":"RUA CARLOS DIAS RIBEIRO","ed_numero":"1200","ed_complemento":null,"ed_bairro":"MIRANTE DA LAGOA","cd_ibge_recebedor":3137601,"nm_municipio_recebedor":"LAGOA SANTA","nm_uf_recebedor":"MINAS GERAIS","sg_uf_recebedor":"MG","nm_pais":"BRASIL","nm_natureza_juridica":"Associação Privada","cnpj_executor":"12546868000170","nm_executor":"INSTITUTO FLORESCER","cnpj_terceiro_signatario":null,"nm_terceiro_signatario":null,"id_programa_unidade_gestora":null,"nm_unidade_gestora":null,"ds_objeto":"Implantar e avaliar o Observatório FLORECER como dispositivo integrador de cuidado, gestão e pesquisa, promovendo a qualificação da Clínica Ampliada e o monitoramento clínico-social de pacientes oncológicos (mama, colo do útero, reto, boca e próstata) acompanhados pela Atenção Primária à Saúde em municípios do Norte de Minas, Vale do Jequitinhonha e Vetor Norte da Região Metropolitana de Belo Horizonte.","ds_problema_proposta":"O câncer permanece como um dos maiores desafios de saúde pública no Brasil, com elevado impacto epidemiológico e social, especialmente em regiões de alta vulnerabilidade. Entre os tumores com maior incidência e potencial de rastreamento destacam-se os de mama, colo do útero, reto, boca e próstata. Essas condições têm a Atenção Primária à Saúde (APS) como porta de entrada preferencial para detecção precoce, acompanhamento longitudinal e articulação do cuidado, reforçando seu papel estratégico no itinerário dos pacientes oncológicos. Apesar disso, nos pequenos municípios e em áreas de difícil acesso, como o Norte de Minas, Vale do Jequitinhonha e o Vetor Norte da Região Metropolitana de Belo Horizonte, observa-se uma realidade contrastante com o modelo ideal de atenção: após o diagnóstico, muitas pessoas precisam deslocar-se para centros de média e alta complexidade em outros municípios, utilizando o Tratamento Fora de Domicílio (TFD). O deslocamento rompe, parcial ou totalmente, o vínculo entre o paciente e sua equipe de origem, gerando descontinuidade do cuidado, perda de acompanhamento de sintomas, agravamento de condições associadas e redução da oferta de apoio psicossocial no período mais crítico da doença. Esse fenômeno de invisibilidade dos pacientes em TFD é um problema central: quando o usuário sai do território, muitas vezes deixa de ser monitorado pela APS, desaparece dos instrumentos de gestão local e passa a viver um cuidado fragmentado. As equipes perdem contato, o prontuário não acompanha plenamente a trajetória terapêutica, e a rede de apoio social e comunitária deixa de exercer seu papel protetor. Essa ruptura torna-se ainda mais grave quando se considera que o câncer e seu tratamento impactam o cotidiano, a autonomia e a vida familiar, exigindo continuidade, vínculo, corresponsabilização e escuta qualificada — dimensões essenciais da clínica ampliada. A falta de monitoramento estruturado também se expressa em outra dimensão crítica: a ausência de dados territorializados para subsidiar decisões clínicas e de gestão. Os instrumentos de informação nacionais não capturam adequadamente o percurso dos pacientes que se afastam por TFD, e gestores municipais têm baixa capacidade de acompanhar a evolução de casos que seguem em tratamento fora do território. Assim, necessidades complexas — como efeitos adversos de quimioterapia, desnutrição, dor crônica, sofrimento mental ou barreiras socioeconômicas — deixam de ser identificadas, gerando aumento de riscos, queda de qualidade de vida, pior prognóstico e custos crescentes ao sistema.O cuidado oncológico, portanto, torna-se desigual e ineficiente: quem mora longe dos polos de referência enfrenta trajetórias de maior sofrimento e menor suporte institucional. Há ainda repercussões sistêmicas: sem informação de retorno, a gestão não consegue otimizar pactuações, organizar o matriciamento, planejar a educação permanente ou avaliar o desempenho das equipes frente às estratégias de rastreamento, detecção precoce e continuidade terapêutica. Esse cenário revela que o problema é estrutural e multifacetado. Ele envolve lacunas de governança e comunicação entre níveis assistenciais, insuficiência tecnológica, fragilidades na educação permanente e dificuldades de incorporação de práticas como o Projeto Terapêutico Singular (PTS), que dependem de acompanhamento contínuo e da valorização da singularidade de cada caso. Na ausência desses dispositivos de integração, o paciente deixa de ser protagonista do seu cuidado e passa a ser conduzido conforme a lógica fragmentada da rede assistencial.É diante desse conjunto de desafios que emerge a necessidade do Observatório FLORECER, propondo uma resposta integrada de cuidado, gestão, tecnologia e pesquisa. Sua razão de existir está em transformar o modo como os sistemas locais enxergam e acompanham a vida das pessoas com câncer, especialmente aquelas invisibilizadas pelo deslocamento físico. O projeto tem como missão preservar o vínculo do paciente com a APS, garantir que sua história clínica e social permaneça acessível e reconhecida e oferecer às equipes instrumentos para uma atuação mais resolutiva, humana e coordenada. Enfrentar esse problema significa resguardar a integralidade — esse princípio fundamental do SUS que insiste em lembrar que uma pessoa não é apenas o local de um tumor, mas um ser social, territorial e afetivo, com necessidades que ultrapassam o campo biomédico. O FLORECER pretende justamente não deixar ninguém para trás: acompanhar a vida onde ela acontece, sustentar o cuidado mesmo quando ele muda de endereço e assegurar que a experiência da doença não arrebente os laços que dão suporte e sentido ao tratamento.","ds_relacao_proposta_objetivo_diretrizes":"O Projeto FLORECER foi estruturado em plena convergência com as diretrizes estratégicas do programa de pesquisa aplicada em gestão, cuidado e inovação no SUS, atendendo às orientações de fortalecimento da Atenção Primária à Saúde, qualificação da coordenação do cuidado e desenvolvimento de tecnologias voltadas ao monitoramento assistencial em condições de alta relevância epidemiológica. O objetivo geral do projeto, que consiste em implantar e avaliar um observatório para monitoramento clínico e social de pacientes oncológicos acompanhados pela APS em diferentes territórios, está alinhado à diretriz de produzir soluções inovadoras que promovam transformação real na organização dos serviços e na prática assistencial.O conjunto de objetivos específicos dialoga diretamente com os pilares do programa. No campo da inovação em gestão, o projeto propõe o desenvolvimento e a implantação de ferramentas tecnológicas para registro e acompanhamento de dados clínicos, sociais e territoriais, possibilitando o monitoramento contínuo de usuários em Tratamento Fora de Domicílio e superando um dos principais pontos de fragilidade no cuidado oncológico: a invisibilidade e a perda de vínculo com a equipe de referência quando o paciente precisa ser tratado fora de sua cidade. O uso de aplicativo, painéis analíticos e indicadores territoriais garante capacidade de análise em tempo oportuno e subsidia decisões qualificadas por parte das equipes e gestores.Em coerência com as diretrizes de fortalecimento do cuidado integral, o projeto incorpora a Clínica Ampliada e o Projeto Terapêutico Singular como bases metodológicas para assegurar continuidade do cuidado, suporte psicossocial e abordagem dos determinantes sociais da saúde. As ações propostas reforçam a coordenação da APS na Rede de Atenção à Saúde e promovem o diálogo entre equipes multiprofissionais e serviços de referência, ampliando a efetividade do acompanhamento ao longo de toda a trajetória do paciente com câncer.O FLORECER também se alinha ao eixo de educação permanente ao estruturar um modelo contínuo de formação em serviço, com oficinas presenciais, atividades formativas mediadas por tecnologia e suporte matricial sistemático junto às equipes. A construção de uma plataforma EAD contribui para a difusão e institucionalização das práticas e instrumentos produzidos, fortalecendo competências técnicas e promovendo autonomia profissional. O projeto ancora sua atuação na produção e análise de dados quali-quantitativos, operacionalizando o princípio da pesquisa aplicada: aprender com o território, intervir no território e avaliar a transformação produzida.A escolha dos territórios de execução, que incluem Norte de Minas, Vale do Jequitinhonha e Vetor Norte da Região Metropolitana de Belo Horizonte, reforça o compromisso com a equidade e o enfrentamento das desigualdades regionais em saúde. A diversidade de realidades permite comparações interterritoriais, amplia a validade do modelo e contribui para aperfeiçoar a regionalização da atenção oncológica no SUS.Do ponto de vista gerencial, a governança compartilhada com gestores municipais, universidades e serviços de referência atende às diretrizes de corresponsabilização interfederativa e assegura condições para sustentabilidade pós-financiamento. A metodologia proposta é replicável, podendo ser ampliada para outras condições crônicas prioritárias após a finalização do projeto.Em síntese, o FLORECER materializa de forma integrada as diretrizes centrais do programa ao combinar tecnologia e clínica ampliada, gestão e cuidado, formação e produção de evidências, resultando em impactos diretos na vida dos pacientes, na capacidade resolutiva das equipes e na qualificação da gestão pública em saúde. A proposta reafirma a APS como coordenadora do cuidado e garante que pessoas em tratamento do câncer não percam seu vínculo territorial, reforçando o compromisso com integralidade, continuidade, equidade e humanização no SUS.","ds_caracterizacao_interesses_reciprocos":"A execução do Projeto FLORECER envolve um conjunto de instituições e atores que compartilham objetivos comuns voltados ao fortalecimento do cuidado oncológico no Sistema Único de Saúde. As Secretarias Municipais de Saúde das regiões participantes têm como principal interesse ampliar a capacidade de gestão da linha de cuidado oncológica na Atenção Primária à Saúde (APS), aprimorando os processos de rastreamento, acompanhamento e continuidade terapêutica de usuários com câncer, em especial aqueles que se deslocam para tratamento em outros municípios. Para essas gestões locais, o Observatório FLORECER representa oportunidade concreta de qualificar o monitoramento de pacientes em Tratamento Fora de Domicílio (TFD) e reduzir a ruptura de vínculo assistencial com as equipes de Saúde da Família, fortalecendo a coordenação do cuidado em rede.As universidades e instituições acadêmicas parceiras têm interesse na produção de conhecimento científico e inovação metodológica aplicada à realidade dos serviços. O projeto possibilita o desenvolvimento de pesquisas quali-quantitativas e socioclínicas em campo, contribuindo para a formação de estudantes, residentes e pesquisadores e valorizando a interface ensino-serviço. A colaboração interinstitucional favorece o avanço da epidemiologia territorial e da clínica ampliada, reforçando o papel da universidade como agente de transformação social.Para as equipes da APS, o interesse recíproco reside na qualificação do processo de trabalho e no fortalecimento das competências clínicas, analíticas e relacionais. A implantação da plataforma tecnológica e das ações de educação permanente viabiliza o uso de instrumentos concretos de acompanhamento longitudinal, apoio matricial e tomada de decisão baseada em dados, aumentando a autonomia das equipes e favorecendo melhores resultados no cuidado aos pacientes com câncer. O projeto também potencializa o trabalho multiprofissional, criando espaços de reflexão, corresponsabilização e aprimoramento contínuo do cuidado ofertado no território.Os serviços de média e alta complexidade que constituem a rede de referência assistencial também se beneficiam com a iniciativa. A existência de um fluxo sistematizado de comunicação entre os níveis assistenciais reduz retrabalhos, amplia a segurança do cuidado e permite o compartilhamento de informações essenciais durante os ciclos de tratamento, garantindo maior coordenação entre os pontos da rede oncológica e potencializando indicadores de eficiência e resolutividade.Do ponto de vista da população usuária do SUS, especialmente pessoas em tratamento do câncer que precisam se afastar de seu território, o interesse é o mais nobre: assegurar que o cuidado não seja interrompido, que o vínculo com a equipe de referência seja preservado e que suas necessidades clínicas, sociais e emocionais sejam reconhecidas e acompanhadas ao longo de toda sua trajetória terapêutica. O acompanhamento contínuo favorece melhores desfechos, reduz vulnerabilidades e reforça o direito constitucional à saúde integral, equitativa e humanizada.Há também interesse direto da esfera estadual ao reconhecer no projeto um instrumento de qualificação da regionalização em oncologia. A integração de informações entre territórios distintos contribui para aprimorar pactuações, planejamento, avaliação e financiamento das ações de cuidado oncológico, além de fornecer insumos estratégicos para normatizações e políticas futuras.Por fim, a instituição proponente e os financiadores do projeto têm interesse na geração de evidências aplicáveis, na consolidação de tecnologias assistenciais inovadoras e na replicabilidade da metodologia para outras regiões e condições crônicas prioritárias. O FLORECER se configura, assim, como modelo escalável de vigilância territorial e clínica ampliada, alinhado às diretrizes de gestão baseada em evidências, sustentabilidade e impacto social.Assim os interesses recíprocos que fundamentam essa cooperação se materializam em ganhos compartilhados: melhoria tangível do cuidado aos pacientes oncológicos, qualificação da APS como coordenadora do cuidado, fortalecimento das capacidades institucionais municipais, inovação científica e tecnológica aplicada ao SUS, redução de iniquidades territoriais e promoção da integralidade como prática concreta. Trata-se de uma parceria que une ciência, gestão, tecnologia e cuidado para transformar trajetórias de vida e fortalecer o sistema público de saúde em seus princípios estruturantes.","situacao_proposta":"Em Elaboração","in_situacao_analise":null,"ds_resultado_esperado_proposta":"O Projeto FLORECER pretende gerar resultados assistenciais, gerenciais, formativos, tecnológicos e científicos capazes de transformar a experiência do cuidado oncológico na Atenção Primária à Saúde (APS), com repercussões diretas para pacientes, equipes e gestores municipais. O principal resultado esperado é a implantação efetiva de um modelo inovador de monitoramento clínico e social que permita a continuidade do cuidado e a preservação do vínculo entre usuários com câncer e suas equipes de referência, mesmo quando estes se encontram em tratamento fora do domicílio. Espera-se, com isso, reduzir lacunas de acompanhamento, fortalecer a corresponsabilização da APS no percurso terapêutico e ampliar a integralidade do cuidado ofertado.Em âmbito assistencial, projeta-se uma melhoria significativa no acompanhamento dos pacientes oncológicos, com maior regularidade de contatos, identificação precoce de necessidades e prevenção de agravos que frequentemente emergem durante quimioterapia, radioterapia ou pós-operatório. Espera-se, também, o fortalecimento do apoio psicossocial, a melhoria da adesão ao tratamento e o aumento da segurança clínica, especialmente para populações que enfrentam condições de vulnerabilidade social ou barreiras geográficas.Em termos de gestão do cuidado, o FLORECER deve consolidar um sistema de monitoramento territorial, capaz de produzir informações estruturadas e atualizadas sobre o itinerário assistencial dos pacientes. Isso permitirá às Secretarias Municipais de Saúde aprimorar o planejamento, os fluxos de referência e contrarreferência e a pactuação interfederativa, além de melhorar o acompanhamento dos indicadores de rastreamento, continuidade terapêutica e resolutividade da APS em oncologia. A institucionalização do Observatório como ferramenta de gestão contribuirá para a qualificação do processo decisório e para o fortalecimento da governança das Redes de Atenção à Saúde.No eixo formativo, espera-se a consolidação de uma rede estruturada de educação permanente, com profissionais capacitados em clínica ampliada, Projeto Terapêutico Singular (PTS), práticas integrativas e vigilância do cuidado. Essa qualificação deverá resultar em equipes mais autônomas, integradas, analíticas e seguras em relação às condutas e estratégias de acompanhamento de pessoas com câncer, tornando o trabalho em saúde mais colaborativo e eficaz.Os resultados tecnológicos previstos incluem o desenvolvimento, implementação e uso contínuo de aplicativo móvel, dashboards interativos e plataforma digital para formação e monitoramento. Tais dispositivos, operados diretamente pelas equipes da APS, contribuirão para padronizar registros, ampliar a comunicação e criar acervo de dados de grande relevância sanitária, respeitando as normas éticas e a proteção de dados pessoais. Ao final do projeto, espera-se que as ferramentas tecnológicas estejam integradas aos processos de trabalho e constituam um legado sustentável do investimento realizado.No âmbito científico, o FLORECER produzirá análises epidemiológicas e socioclínicas sistematizadas sobre o acompanhamento territorial de cânceres prioritários. Serão publicados boletins técnicos, relatórios regionais, artigos científicos e nota técnica contendo recomendações para políticas públicas, garantindo disseminação e impacto do conhecimento gerado. A caracterização comparativa dos territórios possibilitará identificar fatores estruturais, sociais e organizacionais que influenciam o percurso dos pacientes, gerando evidências aplicáveis em escalas municipal, regional e nacional.Do ponto de vista social, espera-se uma redução efetiva da invisibilidade dos pacientes que realizam Tratamento Fora de Domicílio, garantindo que nenhuma pessoa seja privada de acompanhamento, orientações e suporte no momento em que mais necessita. Essa mudança resultará na diminuição do sofrimento evitável, na valorização do vínculo com o território e na ampliação do protagonismo dos usuários e suas famílias nos processos de cuidado.Por fim, os resultados esperados estão alinhados ao compromisso com a sustentabilidade do SUS. Ao final de sua execução, o projeto deverá estar incorporado às rotinas de gestão e cuidado nos municípios participantes, servindo como modelo replicável para outras regiões e para o monitoramento de diferentes condições crônicas de saúde. Assim, o FLORECER se configura como uma transformação sistêmica, capaz de fortalecer a APS como coordenadora do cuidado, qualificar a atenção oncológica territorial e promover equidade, integralidade e humanização como práticas concretas no cotidiano do sistema público de saúde.","in_formato_etapas":"meses","nr_vlr_total":null,"dt_envio_analise":null,"in_situacao_antes_inativar":null,"in_situacao_analise_antes_inativar":null,"in_tipo_prazo_captacao":"Prazo Máximo Previsto","dt_limite_captacao":null,"in_formato_etapas_antes_recalculo":null,"vl_total_planejamento_gastos":null,"ds_publico_alvo_proposta":"O público-alvo direto do Projeto FLORECER é composto por pacientes oncológicos acompanhados pela Atenção Primária à Saúde (APS) nos municípios participantes das três macrorregiões selecionadas: Norte de Minas, Vale do Jequitinhonha e Vetor Norte da Região Metropolitana de Belo Horizonte. São incluídos indivíduos com diagnóstico confirmado ou suspeita de cânceres de mama, colo do útero, reto, boca e próstata, condições de elevada relevância epidemiológica no Brasil e cuja detecção precoce e acompanhamento territorial dependem majoritariamente da atuação das equipes de Saúde da Família ao longo do tempo. Este grupo populacional vivencia desafios específicos na continuidade do cuidado, sobretudo quando necessita deslocar-se de seu município de origem para realização de terapias especializadas em centros de referência regional, utilizando o Tratamento Fora de Domicílio (TFD). O projeto direciona especial atenção a esses pacientes que, ao se afastarem fisicamente de suas equipes de referência, tornam-se mais vulneráveis à fragmentação do cuidado, descompensações clínicas, agravamento de sintomas, insegurança emocional e perda de suporte social e comunitário.O público-alvo institucional compreende as equipes da APS, incluindo médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, agentes comunitários de saúde e profissionais do Núcleo Ampliado de Saúde da Família (eMulti), tais como psicólogos, fisioterapeutas, nutricionistas, farmacêuticos, assistentes sociais e educadores físicos. Esse conjunto de trabalhadores desempenha papel fundamental na detecção, no rastreamento e no acompanhamento longitudinal de pacientes com câncer, além de serem responsáveis por acionar a rede de cuidados e garantir continuidade assistencial. A inclusão desse segmento profissional como público do projeto decorre da necessidade de fortalecer suas competências clínicas, analíticas e relacionais, além de qualificar processos de trabalho voltados para monitoramento territorial, clínica ampliada e Projeto Terapêutico Singular (PTS).Do ponto de vista da gestão pública, também fazem parte do público-alvo as Secretarias Municipais de Saúde e os setores responsáveis pela coordenação da APS, regulação, vigilância e educação permanente. São atores diretamente responsáveis pela implementação das metodologias, pactuação de fluxos assistenciais, monitoramento de indicadores e sustentabilidade das ações. O FLORECER oferece a esses gestores informações estratégicas para aprimorar a governança da linha de cuidado oncológica e fortalecer a regionalização do cuidado, principalmente em territórios com menor densidade de serviços e recursos.Há ainda o público-alvo indireto, composto pelos serviços de média e alta complexidade em oncologia que recebem pacientes oriundos dos municípios incluídos no projeto. Esses serviços se beneficiam de melhorias na comunicação entre níveis assistenciais, recebendo usuários com histórico clínico e social mais bem acompanhado pela APS, o que favorece maior eficiência terapêutica e redução de retrabalhos e internações evitáveis.O projeto alcança também familiares e cuidadores das pessoas com câncer, que têm papel determinante no suporte contínuo ao tratamento. Ao garantir maior articulação territorial e acompanhamento próximo por parte das equipes da APS, o FLORECER contribui para diminuição da sobrecarga emocional, ampliação da orientação sobre cuidados domiciliares e maior segurança nas decisões em saúde, refletindo positivamente no bem-estar familiar.Do ponto de vista da equidade, a delimitação do público prioriza grupos historicamente sujeitos a desigualdades no acesso ao cuidado, incluindo pessoas residentes em áreas rurais ou distantes das sedes municipais, comunidades socialmente vulneráveis, usuários em situação de pobreza e indivíduos com baixa escolaridade, que vivenciam maiores dificuldades para articular seu percurso terapêutico e manter vínculos com os serviços. A escolha territorial reforça esse compromisso ao incluir regiões com menor estrutura assistencial e maior dependência de serviços de referência externos.Portanto, o público-alvo do FLORECER é definido pela interseção de três dimensões: condição clínica (indivíduos com câncer prioritário), vínculo territorial (usuários acompanhados pela APS dos municípios participantes) e vulnerabilidade decorrente do deslocamento assistencial (pacientes em TFD ou com risco de perda de continuidade do cuidado). Ao integrar diretamente usuários, trabalhadores da saúde e gestores municipais, o projeto assegura que o fortalecimento da APS repercuta em toda a Rede de Atenção à Saúde, produzindo impactos ampliados na vida das pessoas e na capacidade institucional do SUS.","mes_proposta":10,"ano_proposta":2025,"dt_proposta":"2025-10-29","intervenientes_proposta":[],"categorias_despesa_proposta":[{"categoria_despesa_proposta":"Investimento","subcategoria_despesa_proposta":"Equipamentos"},{"categoria_despesa_proposta":"Custeio","subcategoria_despesa_proposta":"Serviços"},{"categoria_despesa_proposta":"Custeio","subcategoria_despesa_proposta":"Materiais"}]}],"total_pages":1,"total_items":1,"page_number":1,"page_size":1}